Os Nerds precisam ACABAR!

Os Nerds precisam ACABAR!

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Semana passada os nerds foram pegos de surpresa com a demissão de James Gunn da Disney. Diretor e roteirista de Guardiões da Galáxia, Volumes 1 e 2, ele foi demitido após antigos tweets virem à tona. O que o público descobriu foi uma verdadeira enxurrada de postagens sobre estupro e pedofilia, e com isso ele acabou sendo demitido.

Para quem conhece um pouco do mercado, sua demissão da gigante do entretenimento parece algo normal. Afinal, a Disney produz desenhos, filmes e séries para o público infanto-juvenil, apesar de adultos também acompanharem algumas produções.

 

O caso James Gunn

James Gunn trabalhava numa empresa cujo público alvo são crianças e adolescentes. Suas postagens sobre pedofilia mais do que o credenciaram para a demissão, e isso NÃO TEM NADA A VER COM O POLITICAMENTE CORRETO.

A Disney não o demitiu para atender ao politicamente correto, mas sim ao seu público alvo e seus acionistas, que investiram numa empresa que produz conteúdo infantil. É uma questão de mercado simplesmente, até porque duvido que a Disney já não tivesse conhecimento destas postagens.

 

 



Meu problema com os Nerds

O problema aqui não são os tweets do James Gunn ou demissão. Não quero entrar na discussão sobre se é correto trazer postagens de 5 ou 10 anos atrás para julgar alguém hoje.

Meu problema neste caso é simplesmente com a reação do público. Os nerds que gostavam do trabalho do diretor e roteirista simplesmente não conseguem aceitar sua saída. Já há um abaixo assinado, inclusive, pedindo sua volta para a Disney.

Eles pouco se importaram com o caso dos tweets. Eles pouco se perguntam se ele é de fato pedófilo ou não. Não se gerou uma discussão sobre o tema. Não se pensou sobre se ele é inocente ou culpado, nem o público teria como julgar isso.

Para uma pessoa normal essa demissão seria vista com cautela, e até mesmo aceitação. Outro diretor ocupará o seu lugar, e o que eu tenho a ver com isso?

Os nerds não pensam assim. Eles simplesmente querem seus filmes de super-heróis intocáveis. Eles não querem perder um bom filme, custe o que custar, e em alguns casos, mesmo que custe a vida de algumas pessoas. E é aqui que mora minha indignação.

 

O caso Ahmed Best

Para quem não sabe, Ahmed Best é o nome do ator que interpretou o personagem Jar Jar Binks na trilogia prequel de Star Wars. Mesmo não sendo responsável pelo roteiro e direção, o ator sofreu com ofensas e ameaças dos Nerds que não gostaram do personagem.

Em seu Instagram, Ahmed Best fez um desabafo sobre o caso.

No ano que vem, serão 20 anos desde que enfrentei críticas negativas da mídia que ainda afetam minha carreira. Foi a época em que eu quase acabei com minha própria vida. Ainda é difícil falar sobre. Eu sobrevivi e esse carinha agora é o presente que eu tenho por ter sobrevivido. Seria uma boa história para meu programa? Comentem”

Triste pensar que um ator quase tenha cometido suicídio por aceitar um papel. Infelizmente a coisa não para por aí.

 

O caso Kelly Marie Tran

Após aparecer em Star Wars: Os Últimos Jedi, a atriz teve que deletar seu Instagram após uma onda de ofensas e racismo. Ela é a primeira atriz asiática a ter um papel na saga, e até mesmo sua ascendência foi citada para criticá-la. Mais uma vez seu crime foi trabalhar.

Não gostei de Star Wars: Os Últimos Jedi por vários motivos, mas NENHUM dos atores tem responsabilidade nisso, e mesmo se tivesse, entrar no perfil de alguém para fazer ofensas, ainda mais racistas, é algo fora do imaginável.

 

 

O caso Anna Diop

A mais nova onda de ofensas racistas é mais uma vez uma mulher. Anna Diop entrou para o elenco de Titans, e mesmo antes do primeiro trailer sair ela já sofria com ofensas por ter aceito um papel.

Para os nerds, seu crime foi ser negra e estar no papel de uma personagem laranja. OI? Sim, a personagem original tem a pele laranja, mas aparentemente os fãs a viam como branca de alguma forma.

Alguns justificaram a revolta falando que o figurino estava errado, não a cor da pele. Bem, sabendo que ainda leva muito pós-produção num filme de super-herói, uma foto de bastidores não diz nada de concreto sobre o figurino.

Independentemente de ser a cor de pele ou figurino, ela foi mais uma atriz que teve que bloquear os comentários no Instagram por causa de ofensas racistas. (Mas claro que vão colocar a culpa na roupa).

 

O caso Rey e Leia

Mais uma vez temos fãs de Star Wars no problema. Coincidência, ou base de fãs toxica? Neste caso o problema não foram as atrizes, mas as personagens.

Isto porque no final do filme Star Wars: Os Últimos Jedi, saímos com a impressão que os últimos Jedi (que em inglês não possui gênero), são na verdade AS ultimas Jedi. Isto acabou com a mente dos fãs, que esperavam que Luke ou Finn fossem fazer parte destes últimos mestres da Força.

Muitos nerds não assimilaram o fato de serem duas mulheres (ainda não sabemos como Leia será resolvida no cinema). Muitos chegaram a acusar o filme de ser “Feminista”. Bom, quando eram apenas homens Jedi não tinha problema, mas duas mulheres, francamente!

 

Os nerds precisam acabar

Estes fatos não são caos isolados, são apenas o que mais chamaram atenção. Pantera Negra teve problemas e até ameaça de boicote. Pessoas estão revoltadas porque a Marvel anunciou filmes apenas com heroínas.

Esta historinha de não mexam nos meus heróis extrapola o limite do risível, já se tornou perigoso. Isto porque a maioria destes nerds já tem mais de 30 anos. Não são as crianças que reclamam da nova She-Ra ou do novo Thundercats. São homens adultos e que NÃO SÃO o público alvo destes desenhos.

Está na hora do nerd acabar, e dar lugar à uma base de fãs que sabe aceitar que nem sempre seus heróis se parecerão com aquilo que eles gostariam. Para eles, os super-heróis fictícios são mais importantes que pessoas de verdade.

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