13 Reasons Why | A série que não deveria existir

13 Reasons Why | A série que não deveria existir

postado em: Mãe, eu que fiz! | 0

Sei que 13 Reasons Why possui uma base de fãs enorme, e que muitos são jovens. Há uma certa tendência na internet das pessoas serem sempre a favor de tudo, com medo de levantar algumas questões importantes. Mas isto não deveria ser assim.

Justamente esta base enorme de fãs jovens deveria ser um sinal de alerta para a produção da série. É fato que muitas crianças e adolescentes passam neste momento por problemas de depressão e ansiedade, então este assunto deveria ser abordado com precaução nas produções voltadas para este tipo de público.

É fato também que a série foi criada para o público adolescente. Existe um apelo a isto. Os protagonistas são todos estudantes, e um romance é criado para prender este tipo de público.


Depressão

O grande problema da série é a forma que ela aborda um tema tão complicado quanto a depressão. Existem várias formas de falarmos sobre isto de maneira a não gerar ainda mais ansiedade em que passa por este tipo de problema.

Posso afirmar isto porque já passei por este problema. A depressão foi uma dura batalha que felizmente venci, mas ainda tenho que ficar atento. Então sempre que este assunto é mencionado, logo acendo um sinal amarelo. Em 13 Reasons Why, não apenas acendi um sinal vermelho, como fiquei apavorado.

 

Enredo

A história da primeira temporada acompanha Clay Jensen, um estudante que recebe uma misteriosa caixa com fitas cassete gravadas por Hannah Baker. Hannah era uma amiga que acabara de cometer suicídio, num caso que chocou a escola e a cidade.

Nas fitas, Hannah deixa claro que alguns colegas, professores e familiares são culpados. Ela grava uma fita para cada um deles, expondo os motivos que a levaram a cometer o suicídio.

 

Os Graves Problemas

De cara, posso afirmar que a série é irresponsável em vários momentos. Em primeiro lugar, a série dá a entender que a Hannah não soube lidar com a situação que passava. Ao invés de pedir ajuda, mesmo para familiares, acabou cometendo suicídio.

Sempre que falo com pessoas e especialistas na área, vemos que não é o que ocorre. Normalmente a pessoa pede ajuda, nem que seja mudando racialmente seu comportamento. Na série, ela parece estar bem, e um dia resolve se matar, como se o suicídio fosse uma saída rápida e fácil para os problemas. Mesmo antes de tentar buscar ajuda.

Muitas das situações que ela passa são situações normais na vida de qualquer um. Tirando fatos mais graves, que sim, são muito graves, a maioria fica parecendo apenas birra da personagem. De novo, dando a entender que qualquer problema pode ser resolvido com um suicídio.

 

Gatilhos

A série mostra vários gatilhos que podem fazer um jovem com depressão se sentir para baixo, piorando seu estado. Um gatilho é uma situação que pode fazer despertar, numa pessoa depressiva, o sentimento de tristeza característico da doença. O bullying, as agressões e até a forma como ela se mata podem despertar a depressão em quem está tratando a doença.

Outro gatilho, e o mais grave, é justamente a cena do suicídio. Muitos jovens tentam se matar devido a doença, muitos acabam não conseguindo apenas por não terem sucesso nesta tentativa. Aqui, a série mostra com um teor de detalhes irresponsável a forma “mais correta” de se conseguir isto. É chocante e revoltante, mostrarem em detalhes, para vários jovens, este tipo de coisa.

A própria OMS recomenta que imagens de suicídio, por exemplo, não sejam mostradas em noticiários e programas de televisão para não virar um gatilho para que jovens possam seguir o exemplo. A série vai na contramão desta recomendação.

 

Roteiro Confuso

Dentre os vários fatos que fazem Hannah se sentir deprimida, um deles é um abuso sexual. Neste ponto, o agressor já havia cometido um ato igual, presenciado pela própria Hannah.

Pouco tempo depois, vemos a personagem entrando numa banheira com este mesmo agressor, usando apenas roupas íntimas. Não, a culpa NUNCA é da vítima. Aqui, o problema é a total incoerência dela não ter ido embora quando podia, mas aceitar a entrar na banheira com ele. NÃO FAZ SENTIDO, o que deixa claro que foi um recurso que os roteiristas encontraram para que ela tivesse um motivo forte para o suicídio. Até então, como falei, quase todos os fatos que ela afirmava ser a causa para a morte eram totalmente normais.

A personagem em nenhum momento aparece sofrendo com o que ocorre. Não mostra a vida com os pais, nem que ela havia mudado devido à depressão. Nada disto. Ao que a série mostra, parece apenas uma menina com problemas normais que resolveu que o suicídio era uma maneira fácil de lidar com problemas. Claro, ela foi abusada, mas o contexto disto é tão mal feito que dá pra entender somente este foi o motivo real.

 

Conclusão

A série não é aconselhável para pessoas com depressão. Muito menos para crianças e adolescentes. Faltou sensibilidade dos roteiristas, da direção, da produção e da Netflix, em apoiar este projeto.

Alguns podem dizer que aumentaram as ligações para os telefones de ajuda para quem pensa em suicídio. (No Brasil o Centro de Valorização da Vida é o número 188), mas isto poderia acontecer com uma série bem feita sobre este tema.

Então usar isto como justificativa de que a série ajudou estas pessoas é ridículo. Fico feliz por pessoas procurarem ajuda, mas muito preocupado que seja através de um produto tão mal feito e irresponsável.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *